Transformando Lágrimas em Vinho
Silmar Coelho
O livro trata da história de Davi, enfocando a sua
fragilidade, ao deparar-se com a ameaça de seu sogro, Saul, de matá-lo.
Depois de um longo período de fuga, Davi reconhece que somente através
da confissão de pecados e de muitas lágrimas poderá alcançar o alívio
para seus momentos de tristeza. Com isso, percebe que o Senhor
transformou suas lágrimas em vinho.
“Minhas lágrimas transformadas em vinho me são servidas numa taça de ouro, na mesa do banquete, na presença dos meus inimigos.”
Davi não dissimula suas reais emoções. Nem as esconde, ao escrever de
si mesmo. São mais do que lágrimas que correm sua face afora. Ele chora
para entender a si mesmo e o que acontece a sua volta. O choro embala a
comunhão com Deus. Rega a semente que desabrocha numa verdade crucial.
Traz de volta a confiança. Seu choro não é sem sentido. Não é o lamento
ou a birra de um bebê imaturo. Davi chora o choro do homem que
encontrou a resposta. Apesar da situação desesperadora em que ele se
encontra, ele compreende que é possível estar em paz. Ele deposita as
lágrimas no odre de Deus.
O odre é um recipiente feito com pele de
animal, com o qual os Hebreus carregavam líquidos como água e vinho. O
vinho era parte crucial da mesa dos Judeus, além de completar a dieta,
simbolizava alegria, vida e prosperidade. Davi deposita as lágrimas do
sofrimento, da angústia, da dor, da rejeição e das feridas no odre de
Deus. Deus
as transforma em vinho, em alegria e vida. Suas lágrimas são a chuva da alma.
Aquele que guarda as lágrimas para si mesmo transforma-as em amargura,
mágoa, depressão, decepção, traumas do passado e pena de si mesmo. Mas
aquele que entrega as lágrimas a Deus, recebe-as de volta,
transformadas em vinho.